O Direito ao Silêncio: Por que "explicar tudo" pode ser um erro fatal?
- Janson Matos
- há 7 dias
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A primeira reação de quem é levado a uma delegacia é o impulso de falar. Existe uma crença de que o silêncio soa como culpa. No entanto, o interrogatório policial não é uma conversa entre amigos; é uma colheita de provas onde cada palavra sua será usada para montar um quebra-cabeça contra você.
O direito de permanecer calado (Nemo tenetur se detegere) é o seu maior escudo.
O silêncio não é confissão
Diferente do que vemos em filmes, no Brasil, o juiz não pode usar o fato de você ter ficado calado como prova de que você é culpado. O silêncio é neutro. Ele serve para que sua defesa técnica analise o que a polícia já tem de prova antes de você apresentar a sua versão.
O perigo da "conversa informal"
Muitas vezes, antes do depoimento oficial, ocorre a famosa "entrevista" no camburão ou no corredor da delegacia. O agente diz: "Diz aí o que aconteceu que a gente alivia para você".
Cuidado: Essas declarações informais podem ser usadas nos relatórios policiais e influenciar a convicção do delegado e do juiz. O seu direito ao silêncio vale desde o primeiro minuto da abordagem.
Silêncio Seletivo
Você pode responder às perguntas sobre sua identidade e profissão (qualificação) e se calar sobre os fatos. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) já firmou o entendimento de que o réu pode escolher quais perguntas responder, sem que isso o prejudique.




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