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Viajar e deixar o cachorro sozinho é Crime? Entenda a Lei Sansão e a Prisão Inafiançável.


Vai viajar nas férias? Deixar o pet sozinho com comida e água pode configurar crime de maus-tratos. Saiba por que a Lei Sansão proíbe fiança na delegacia para abandono de cães e gatos.


O perigo do "Dezembro Verde"

Chegou a hora das férias, a família vai para a praia, mas o hotel não aceita pets. A solução "fácil"? Deixar o cachorro ou gato em casa, com bacias de ração e água para 3 ou 4 dias, e pedir para um vizinho "dar uma olhada" de vez em quando.

Cuidado. Essa prática, infelizmente comum, pode transformar suas férias em um pesadelo carcerário.

Com a recente alteração legislativa conhecida como Lei Sansão (Lei 14.064/2020), o tratamento jurídico para maus-tratos a cães e gatos endureceu drasticamente no Brasil. O que antes era "apenas multa", hoje dá cadeia.


O que configura Abandono? (Não é só jogar na rua)

Muitos pensam que abandono é apenas deixar o animal na estrada. Para a justiça, abandono é deixar o animal desamparado, sem condições de higiene, alimentação adequada, afeto ou segurança.

Deixar o animal trancado em casa sozinho por dias, sujeito ao acúmulo de fezes, calor excessivo, risco de fugas ou doenças, configura o crime de Maus-Tratos. Basta uma denúncia anônima de um vizinho ouvindo o choro do animal para a polícia arrombar a porta e constatar o flagrante.


A Lei Sansão e o Fim da Fiança na Delegacia

Aqui está o ponto crítico para sua liberdade. A Lei 14.064/2020 alterou o Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais. Agora, quando o maus-tratos envolve cão ou gato, a pena é de Reclusão, de 2 a 5 anos.

  • Matemática Jurídica: Lembra da regra do Art. 322 do CPP? O Delegado só dá fiança se a pena máxima for até 4 anos.

  • Consequência: Como a pena máxima agora é de 5 anos, o Delegado NÃO pode arbitrar fiança.

Se você for pego em flagrante abandonando ou maltratando um cão/gato, você será preso e encaminhado ao sistema penitenciário até a Audiência de Custódia. Não adianta ter dinheiro para pagar na hora.


"Mas eu deixei água..."

A defesa técnica nesses casos é complexa. O advogado terá que provar na Audiência de Custódia que não houve dolo (intenção) de maltratar, que o animal estava assistido por terceiros (pet sitter, familiar) e que o ambiente estava salubre.

Porém, a polícia trabalha com laudos veterinários. Se o perito atestar desidratação, magreza ou estresse profundo, a situação do tutor se complica, podendo inclusive perder a guarda do animal definitivamente.


Conclusão: Planeje ou não viaje

A responsabilidade penal sobre o animal é integral do tutor. Se você foi acusado injustamente de maus-tratos por um vizinho mal-intencionado, ou se está enfrentando um inquérito policial por fatos ocorridos nas férias, a defesa especializada é urgente, pois a condenação gera antecedentes criminais e prisão real.


 
 
 

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